quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pilha

Como já era habitual, o nosso dia nesta quinta-feira iniciou-se com o pequeno-almoço à hora marcada. À nossa espera estava o último período de trabalho no KISC. Uma manhã em que um pequeno grupo foi rachar lenha e os restantes foram retirar as ramagens dos pinheiros que estavam em montes após terem sido cortadas nos dias anteriores, para serem transportadas pelos pinkies na Leena (a "carrinha" de transporte do KISC) para local próprio.





Nesta manhã tivémos direito ao coffee-break junto à torre do campo, ao invés do local habitual.
Sendo a última manhã de serviço e estando quase todos a trabalhar juntos, a alegria e a entreajuda reinou e, como portugueses que somos e já que este povo tem a fama de ser desenrascado, aplicámos algumas técnicas para que o trabalho fosse melhor.





Após o almoço, preparadas as mochilas e equipados, partimos para o hike que nos levou ao Uppe Hut (Ueschinenhütte), o abrigo de montanha no vale superior de Üschenen.
Cerca de 6km depois e já com algum cansaço pois a altitude era superior ao que estamos habituados e, tendo em conta que a altimetria variou cerca de 700 metros, chegámos ao abrigo. A vista era de se ficar sem palavras. Tudo era tão calmo e natural ao nosso redor. O local ideal para a noite que chegava a pasos largos.






Tarefas distribuidas, jantar preparado, a "sala" onde este foi servido encheu-se da alegria caracteristica do grupo. Mesmo sem luz eléctrica, as canções e as conversas duraram e fizeram com que o frio que se fazia sentir no exterior nem se sentisse ali.
Depois do jantar subimos ao piso superior para um grande momento de partilha, ao jeito de uma pré-avaliação desta PWP.
Apenas com a simplicidade da luz que surgia da vela no centro da roda, cada um sentiu a magia daquele momento, o momento alto do dia ou mesmo da semana.

Ainda que de locais distintos, estes quinze elementos da PWP'13 tinham algo em comum... fazer mais, ir mais além. Unidos, como as personagens do filme que serviu de base ao nosso imaginário, por um projecto idêntico, perceberam que juntos valem mais.
Em pilha... somos um!
"Abriu-se mais uma vez a Caixa do Tempo" e depois fomos convidados a dormir "em pilha", ou seja, todos juntos no mesmo espaço, aleatóriamente, tal como o Max e os outros personagens do filme faziam.
Terminou assim em união este dia que, apesar de cansativo, foi um grande dia para os participantes desta PWP. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Max

Tal como nos dias anteriores, iniciámos o dia com um grande pequeno-almoço para mais um dia de serviço. Os Pinkies guiaram-nos por caminhos, que já quase sabemos de cor, em direcção às matas do KISC. Entre conversas e coffee-breaks, limpámos mato, derramámos árvores, limpámos pinheiros e rachámos lenha. O serviço é uma oportunidade para nos conhecermos melhor uns aos outros e aos pinkies - ajudamos o centro e ainda nos divertimos!











 À noite, por volta das 20:30, demos início à Festa Portuguesa, na qual demos a conhecer aos pinkies alguns aspectos da nossa cultura através de: um vídeo sobre o caminheirismo em Portugal, danças tradicionais, músicas típicas das tunas universitárias e claro, muita comida e bebida! Os pinkies aderiram a cem por cento: dançaram, riram, tiraram fotos connosco e ainda fizeram perguntas sobre a nossa cultura - curiosidade que nós tivemos todo o gosto em satisfazer. A festa durou até tarde e mais não durou porque no dia seguinte… era dia de trabalho!









terça-feira, 1 de outubro de 2013

Cor



Por entre pós mágicos e olhando em redor, percebe-se que há algo que dá vida a tudo o que nos rodeia, a cor. Nesta terça-feira, tivemos mais um dia cheio de emoções e muitas cores. Apesar de o nosso dia ter começado com alguma chuva, a vontade de continuar no barco e de continuar a trabalhar para o KISC é demasiada.


Alguns de nós continuaram a abastecer lenha, outros a cortar árvores e raízes. Tenho a dizer que os coffe-breaks que fazemos são sempre importantes para nós, mas hoje tiveram uma importância maior, porque este, era o dia de criar alguns laços de amizade com os Pinkies, visto que organizamos alguns jogos e dinâmicas para a noite.


Foi então que Max, desafiou em pleno refeitório, uma batalha com os mais corajosos pinkies às 21 horas da noite. Como era de esperar alguns deles não participaram, mas os que aceitaram o desafio, vinham com uma chama bem acesa.
Começamos com a nossa apresentação de batalha e logo a seguir a dos pinkies, depois com o típico jogo do “STOP ao número?”, onde a cor rosa se saiu vencedora e ainda o jogo das cadeiras onde vos deixamos um pequeno vídeo do que lá se passou.




Por fim fizemos uma batalha como no filme da mística. Foi então proposto pelo Max, de atirar as nossas qualidades, a nossa cor e o nosso sentimento a quem nós quiséssemos, com um balão de água. Está batalha foi mágica, porque para além de nos sentirmos mais seguros de nós próprios, com menos medos e com mais qualidades, conseguimos criar um laço de amizade muito forte entre todos. Em jeito de oração, encerrámos a noite escrevendo num mural os nossos sentimentos para com esta PWP.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Ceptro

A manhã começou cedo por entre papelinhos com diferentes tarefas, que espalharam sorrisos durante todo o dia. Desde 'cafunés', gritos e abraços estonteantes, os papelinhos fizeram-se valer pela vontade da família que se estava a formar.
Ansiosos pelo primeiro dia de serviço no centro, e distribuídos por tarefas distintas, o nosso grupo demonstrou o perfeccionismo e o 'desenrrasque' típico da génese lusitana.

Entre caminhos, pinturas e voltas com material, foi necessário atribuir mais tarefas ao nosso grupo além das que estavam delineadas. Nos coffee breaks, sempre com boa disposição, trocaram-se histórias e peripécias de cada grupo, ainda com algum espaço para descobrir a magia das diferenças culturais com os elementos do Staff.


Esta partilha de experiências não se sentia só durante as jornadas de trabalho, como também à mesa. Entre sopas coloridas e pratos estranhos, saboreávamos aquele momento de descanso debatendo os mais diversos assuntos. Seguia-se sempre o momento na nossa mini-cozinha, onde matávamos saudades da fragrância e sabor do café ao estilo português.
A jornada de trabalho era retomada, fizesse chuva ou sol o espírito de trabalho dos grupos mantinha-se, ao ponto de abdicarem do coffee break da tarde para dar por terminada a tarefa que lhes foi concedida.

Depois do jantar, fomos brindados com uma visita a cada parte do centro. Da cozinha, à lavandaria...ao cantinho dos pinkies... e posteriormente guiados por tochas, visitámos os bosques que abraçam o centro... do Kander-Lodge, ao Memorial Rock, ao B.P. campfire, à Torre... ao Campfire Circle...


Em crescendo, na bruma da noite, foi-se ouvindo uma melodia... e aos poucos foram-se vislumbrando pontinhos de luz aqui e acolá. Em jeito de convite, fomo-nos descalçando e sentando nas mantas já expostas na Frack Haus, último ponto de visita...havia algo diferente à nossa espera.

Tínhamos rumado de barco até este mundo mágico, tinham-nos sido instituídos os símbolos desta viagem, faltava agora nos comprometermos com este projecto.
Do silêncio surgiu o Max que nos foi retirando os lenços colocando-os em círculo, formando cada um de deles um raio solar, que aqueceu aquele espaço. Pelo dom selvagem desta mesma personagem, fomos investidos reis feiticeiros deste novo mundo.

Lentamente, cada um abriu a sua caixa do tempo, e deixou sair a sua linha de vida, que juntamente com o ceptro mágico, fizeram com que o pequeno sol daquele espaço subisse e descesse como se de magia se tratasse. Nem só o sol subiu, e do fundo do nosso âmago emergiram gotas de água, que transpareceram toda a autenticidade do momento.


Entre cânticos emocionados, foi o momento de revermos cada um dos nossos percursos, cada uma das nossas escolhas, quer por águas calmas, quer por correntes sinuosas... foi o momento de relembrarmos quem não pôde estar ali connosco, quem nos fez chegar até ali, e de percebermos que mesmo imperfeitos, juntos valemos mais. Foi de facto um momento mágico onde ficámos de facto ligados por um mesmo sentimento:  fazer mais.
Assim como em família, cuidamos dos nossos iguais, também nós rumámos de novo ao Challet com algo no peito que não era nosso, mas com a certeza que seria tratado como se fosse nosso até à manhã seguinte.


Esta seria uma noite calma com o coração repleto desta magia. 



domingo, 29 de setembro de 2013

Sol


Depois de uma noite de descanso ainda insuficiente para recuperar do cansaço da viagem, o nosso dia começou pouco depois das 4 horas da manhã (hora suíça), com um despertar diferente  na presença de animais selvagens.
Saímos então para iniciar o percurso por trilho até ao lago Oeschinensee, a 1600 metros de altitude.
O percurso foi feito ainda durante a noite, por isso não nos apercebemos da paisagem que nos rodeava. Chegados ao nosso destino, tivemos oportunidade de assistir a um amanhecer de crescente luminosidade. O tempo nublado não permitiu ver uma alvorada límpida, contudo não ficámos desiludidos: a superfície azul do lago ondulava calmamente, refletindo o gradual aclarar do dia, envolto pelo recorte das montanhas que se iam definindo: alguns dos cumes repletos de flocos de algodão e todas as encostas  preenchidas de árvores frescas. Ficámos maravilhados com aquela paisagem  e prolongámos o momento de apreciação.
Mas este Sol, ainda que encoberto e sempre em risco de deixar de existir, trazia consigo uma luz que iluminava o barco em que Max, sem saber, se propusera a uma redescoberta de si mesmo. Tal como Max, também nós fomos levados a construir o nosso próprio barco e a colocar nele as nossas propostas de renovação.



De seguida, fomos tomar uma bebida quente e retomámos a caminhada para ir visitar a entrada do teleférico e conhecermos um pouco melhor os trilhos da área, iniciando a nossa descida de regresso ao KISC para o almoço.
Pegámos nas nossas mochilas e decidimos ir ao centro de Kandersteg a pé e por outro caminho, aproveitando assim as maravilhosas vistas que servem de cenário de fundo da acolhedora vila.
Voltámos para o KISC e após algum descanso, jantámos.
Seguiu-se um serão com os Pinkies para o qual preparámos uma apresentação cheia de música e energia e lá fomos, deixando os Pinkies completamente espantados.
Quando os Pinkies cederam ao cansaço, passámos ao nosso momento final do dia: o visionamento da primeira parte do filme que deu origem ao nosso incrível imaginário "Where the Wild Things Are", deixou-se o momento de reflexão do dia sobre a renovação pessoal. E com isto demos por terminado o nosso dia. Amanhã espera-nos o primeiro dia de trabalho a sério!

sábado, 28 de setembro de 2013

A Grande Viagem

Desatracámos o 1º barco da Junta Central, em Lisboa, com seis participantes e o nosso condutor privado a bordo. Rumamos em direcção a Norte ao encontro dos restantes participantes, por mares não tão tumultuosos quanto esperávamos. 
Em Santarém apanhámos mais dois aventureiros, que se juntaram a nós com toda a alegria. Na cidade de Leiria aguardavam-nos dois elementos e o 2º barco. Durante as 34 horas que se seguiam esses seriam os nossos albergues. De Coimbra saltaram para bordo dois malucos com a energia necessária para animar o pessoal. 112 km mais a Norte, no Porto, esperava-nos mais uma aventureira. 
Em Braga reúnimo-nos com os dois elementos que faltavam para preencher o nosso divertido grupo, onde oficializámos o começo da nossa viagem com um momento de reflexão e introdução ao nosso imaginário, "Where The Wild Things Are".



Ao longo desta nossa pequena viagem de recolha encontrámos três selvagens já veteranos nestas andanças internacionais, que nos deram umas últimas dicas e de quem nos despedimos agradecendo a sua ajuda. 
Começava agora a nossa aventura, finalmente todos juntos! Partimos de Braga para o que seria uma viagem quase non-stop. A nossa primeira paragem foi em Chaves onde aproveitámos para jantar e reforçar as energias para a longa viagem que tínhamos em frente, antes de sairmos de terras lusas, deixando para trás as nossas zonas de conforto, comprometidos com o desafio de uma nova descoberta do Mundo e de nós mesmos. 
Atravessada a fronteira exercitámos o nosso espanhol, visto que durante as 8 horas seguintes andaríamos por terras do rei Juan Carlos. A viagem seguiu-se animada e sem contratempos, entre conversas, sonecas e muitos cânticos.


Após uma quantidade infindável de túneis avistámos a fronteira francesa, onde preparámos o "Bon Jour", o "Merci" e o "Ça va", para nos sentirmos mais em casa. Prados verdes e amarelos estendiam-se nos flancos da auto-estrada que percorríamos enquanto a nossa ansiedade se acentuava à medida que os quilómetros no GPS diminuíam. França parecia nunca mais acabar! 
Quando o condutor finalmente disse: "ali está a fronteira", os nossos corações dispararam, já só faltavam à volta de 200 km. À medida que nos aproximávamos do nosso destino e a noite caía, os nossos corações a palpitar acompanhavam a nossa cara de miúdos numa banca de doces ao avistarmos a estupenda arquitectura característica daquela região e as imponentes sombras escuras que se erguiam até aos céus. 
Quatro países e 2400 quilómetros depois, viemos descobrir nos recantos escondidos dos Alpes Suíços o paraíso escutista, o Kandersteg International Scout Centre - KISC. Nenhuma das 1001 fotos fazia justiça à beleza e grandiosidade da vista que emergia diante dos nossos olhos. Iluminado pelas luzes exteriores, no meio de uma imensa escuridão, o chalet que seria a nossa casa durante a próxima semana erguia-se magnífico. Uma visão do céu! 
No KISC encontrámos o local ideal para soltarmos o nosso lado mais wild partilhando-o com companheiros de viagem selvagens cujas vidas se cruzaram para viver este sonho. 
Mal podemos esperar pelo dia de amanhã!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dia 6 - A Caminhada dos Três Vales



"Montanhas, nunca seriam vencidas senão pelo mais sinuoso dos caminhos"




Este foi, de facto, o dia que começou mais cedo. Passava das cinco da manhã, quando alguns já preparavam os pequenos e "grandes" almoços, enquanto outros se empenhavam em deixar o quarto superior do Ueschinenhutte melhor do que o tinham encontrado. E a Lua ainda brilhava. 

Entretanto, o azul celeste das montanhas e o vento cortante e gelado iam denunciando um Sol ainda por nascer, mas não tardámos em pôr pés ao caminho e deixar o abrigo para trás. Mal sabíamos o que nos esperava!




Ainda por entre algumas casas, fomos descobrindo o trilho assinalado por pinturas rudimentares de cores vermelha e branca, em pequenos postes ou rochas.

Enquanto caminhávamos, a luz ia se intensificando e os cumes iam perdendo altura e ganhando lustre. A paisagem, quanto mais distante se fazia parecer, mais merecedora de contemplação se tornava, dificultando, assim, a tarefa de mantermos os olhos no caminho e evitar algum percalço.




Na verdade, a cada metro que ganhávamos às nuvens - muito ténues, diga-se - perdia-se um palmo de vegetação e, deste modo, também o trilho se ia desvanecendo até nos guiarmos apenas por principais pontos de referência - as riscas vermelhas e brancas - e por raras placas amarelas que nos apontavam várias direcções. 
Parámos no cimo de uma última colina verde, para recuperar forças e tirar algumas das fotografias, antes de partir para a crista da primeira grande elevação.




Apesar de termos subido tanto, deu para perceber que aquele lugar não era tão remoto como daria a entender. Poderia não haver flora, mas havia fauna que até parecia dar-se bastante bem com aquelas alturas. Em particular, uma espécie local, que a partir daí foi fazendo companhia à comitiva portuguesa.




Tivemos também a oportunidade de assistir, em primeira mão, - (arrisco-me a dizer) - ao imbatível recorde do beijo mais alto da Suiça daquela manhã! No qual os principais protagonistas, Bento e Clara, se saíram - devo dizer - bastante bem! Prova viva da amizade que só é possível construir-se numa PWP!






Subitamente, quando se pensava que tínhamos tudo para continuar a subir e chegar ao topo,... descemos no sentido Schwarenbach, para depois voltar para Kandersteg. O calor surpreendente que se fazia sentir no cimo das montanhas, não nos permitiu alcançar o nível da neve. Ainda era cedo para ver todos os cumes de manto branco.

Depois de atravessar o segundo vale, parámos para almoçar, junto a uma grande encosta, com vestígios de actividades semelhantes à escalada. 
























A partir daqui, a maior dificuldade foi manter os joelhos em forma e descer até ao Berghotel Schwarenbach, onde  tudo se tornaria mais fácil e civilizado. Lá parámos e descansámos na esplanada, pois a próxima paragem seria o KISC.



Então, pelo mais plano dos vales, passámos por muitas famílias que tiravam o seu fim-de-semana para fazer as suas caminhadas e fomos ao encontro do KISC, roídos de inveja de quem descia pelo teleférico até à vila de Kandersteg. Contudo, o prazer de lá chegar pelos próprios pés enchia-nos muito mais.

"Vamos, rápido! Ainda somos capazes de apanhar o Coffee Break!" - alguém dizia a brincar. Eram sensivelmente 16h30min - hora da pausa nos dias de trabalho -, pouco antes de passarmos a estação do teleférico.



Descemos, portanto, a última encosta, verdadeiro teste à resistência dos nossos queridos joelhos, maravilhados com a vista que se tinha da vila. Não dava para acreditar que momentos depois, estaríamos lá. - - -- "Olha! Daqui já se vê o Kander Lodge!" Parecia que estávamos dentro de um postal gigante!




E finalmente, com a tarde já a chegar ao fim, perto da hora do jantar, voltámos ao KISC, cansados mas com o coração cheio de óptimas recordações, pronto para partilhá-las.




Mas o dia não ficou por aqui, porque, depois do jantar, ainda houve tempo para o jogo de futebol entre Pinkies&PWP Vs Boyscouts of America (às centenas), conversas com norueguesas (o Ministro que o diga) e muitas expectativas em relação ao dia seguinte, o último dia no KISC.