terça-feira, 6 de setembro de 2016

Felicidade é... cantar pela manhã


“Vem cá fora ver o Sol que já nasceu…” levantamo-nos com esta alvorada saborosa e partimos para um dia de trabalho. 
Felicidade é… Servir. E Servir no K.I.S.C. é saber que somos uma parte importante na manutenção do centro que é de todos nós, irmãos escutas de todo o mundo. 
Este ar é diferente, esta vista deixa-nos sem palavras; É aqui, que sentimos o calor no frio porque estamos entre irmãos, o consolo num sorriso porque estamos unidos, a alegria no trabalho porque somos simples, a amizade na diversidade porque somos Escutas. Estar aqui é rir sem medo, aprender e ensinar, dar e receber. 
Durante a noite, recolhemos num momento em grupo em que pudemos partilhar o que achamos do que escrevemos e do que foi escrito pelos outros no nosso coração. 
E a felicidade? Aqui ainda não sabíamos mas já estava mais perto do que imaginávamos.




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Felicidade é… realizar sonhos!


Por volta das 7 horas da manhã, a claridade do Sol, que ainda se escondia por de trás dos Alpes Suíços, entrava pelas janelas do quarto “Boy Scouts of America” do mais antigo Chalet do KISC convidando-nos para abraçar o primeiro dia dedicado ao serviço do campo. Se nesta altura já estávamos completamente rendidos às paisagens e à magia do KISC, a expectativa de virmos a trabalhar com os Pinkies e podermos deixar a nossa pegada no centro escutista mais aclamado a nível mundial só nos deixava mais animados e prontos para servir – não sem antes encher o estômago, porque um português a trabalhar de barriga vazia não inspira confiança.

Pouco faltava para as 8h15, o horário estipulado para o início dos trabalhos. Um dos Pinkies, o Paul, dá-nos os bons dias e convida-nos a dar uma volta rápida pelo centro aproveitando para apresentar os locais onde o serviço daquele dia seria feito. Juntaram-se a nós o Adam, a Maya e a Hana, pinkies que iam auxiliar-nos nos nossos serviços nesse dia. Parámos no Werkhof para nos dividirmos em grupos de trabalho: um grupo foi com o Paul e a Maya limpar fossas, outro ficou no Werkhof com o Adam a empilhar e arrumar mesas e o último foi com a Hana transportar e limpar tendas militares. A meio da manhã, fizemos o nosso coffee break aproveitando para trocar impressões dos trabalhos, no Uncle Sam, na companhia do pão com doce, do “red stuff” do café e do cheirinho a fossa. Restaurados, retomamos o trabalho! O grupo da Hana terminara mais cedo o seu trabalho sendo convocado para auxiliar o grupo das fossas.

Chegada a hora de almoço, a entrada dos trabalhadores no refeitório fez-se com um pequeno atraso derivado na extensão dos trabalhos – estávamos desculpados… afinal a culpa foi da vontade de não deixar o trabalho a meio. A mesa enche-se: o prato com massa acompanhada de molho de tomate, o copo com Yellow ou Red Stuff (ou água) e o ar com o aroma a fossa. Não foi assim tão mau, pelo menos imaginam o teor das conversas e das piadas… 

Às 14h30, fomos de encontro ao Paul que nos parabeniza pelo trabalho que foi elaborado mais rápido que ele estava a prever. Seguiu-se então novas indicações e novos grupos de trabalho distribuídos pelos Pinkies: Paul, Maya e Adam cujos trabalhos foram respetivamente reparar vedações, pinturas de bancos do KISC e retirar a mobília do Kander Lodge. Na hora do lanche (16h), o Paul avisava as equipas para se encontrarem na margem do rio Kander. A comida, o sol e o som do rio azul a correr ao nosso lado rapidamente repôs as nossas energias. Terminámos os trabalhos perto das 17h30, o que permitiu visitar os locais mais emblemáticos do KISC que ainda não conhecíamos aliado às explicações e orientações do Paul. Posto isto, jantámos às 18h00.

Chegada a noite, era tempo de realizar a nossa dinâmica noturna: “Qual é o teu Norte?”. 
Repensando o que nos faz feliz, qual o teu objetivo, qual o teu maior sonho, numa primeira fase, pensamos a pares: partilhamos ambições com uma pessoa que pouco conhecíamos. Posteriormente dirigimo-nos à sala “International Friendship” de modo a expormos ao grupo aquilo que anteriormente foi repensado e foi partilhado a pares. Posto isto, o dia chega ao fim complementado com umas colheradas de Terra no nosso frasquinho conforme a avaliação individual que cada um fez ao dia. Felicidade é realizar sonhos e para nós a PWP’4 foi a materialização de um sonho.

Felicidade é conhecermo-nos por dentro


Ainda a noite estava a pairar quando se deu a alvorada, eram 5h00 da manhã, acordámos, ainda cansados da viagem, mas com vontade de começar a nossa busca pela felicidade. Para isto, recebemos mais uma "peça" do nosso Felicidário, um coração. Ao longo do dia o desafio era escrevermos características que nos identificassem, algo nada fácil quando se trata de olharmos e refletirmos acerca de nós mesmos. 

Depois de sabermos a dinâmica do dia partimos para a aventura de procurar a felicidade, neste caso, procurámos no lago Oeschinensee, pelas 8h00 já tínhamos chegado, mas um grande nevoeiro sobrevoava o lago, houve desde logo alguma apreensão, pois assim não iríamos ver a verdadeira beleza do local. Podíamos ter desistido mas não, continuamos a procurar a "marota" e a nossa persistência deu frutos, aos poucos uma paisagem inexplicável foi aparecendo à medida que o nevoeiro subia. Era a felicidade a sorrir para nós! 

Os sorrisos estampados nos rostos de cada um foi algo indescritível, algo difícil de caracterizar, tudo o que sentimos no momento foi mágico. Estar ali, ver o sol realçar a neve das montanhas e mesmo ao lado uma água azul cristalina, um verdadeiro cenário de felicidade. 

Depois da felicidade na natureza viemos para o KISC, era a noite dos jogos com os Pinkies, houve desde logo grandes ligações, as diferentes culturas não foram obstáculo, mas sim fontes de enriquecimento e partilha de alegria. No final tivemos o nosso momento de reflexão, partilhamos ideias e felicidade. Fizemos a avaliação da felicidade que sentimos ao longo do dia colocando colheres de terra no nosso frasco individual. 

O primeiro dia terminava assim com bastante alegria e curiosidade acerca do dia seguinte mas sobretudo com vontade de dar mais de nós e continuar a nossa busca pela verdadeira felicidade.

Hoje, vamos finalmente começar a nossa viagem em busca da marota! Ela bem que anda escondida, mas faremos de tudo para a encontrar (calma aí, a marota é só a felicidade). 

As primeiras participantes a iniciar a viagem foram a Mafalda e a Elizabeth, que desde Lisboa, apanharam o comboio até à cidade do Porto. Pelo caminho juntaram-se a Andreia, o Miguel e o Pyetra na estação do Entroncamento, e em seguida, em Pombal, encontrámos a Sílvia e o Filipe armados em caracóis com a casa às costas. Ao chegar a Campanhã tínhamos o Carlos e o Ricardo à nossa espera, e tivemos ainda a ajuda de duas alminhas caridosas (amigas do Filipe) que transportaram de carro toda a nossa bagagem até à praça Velasquez. Lá estavam a Diva, a Susana, a Adriana, o Marco e o Luís e tínhamos assim catorze aventureiros prontos para a grande 4ª edição da Portuguese Work Party. (Falta um misterioso na história mas ele já aparece). 

Na hora de almoço, como não poderia deixar de ser, lá reclamou o Pyetra que McDonalds estava fora de hipóteses e foi tudo comer à moda do Porto (menos os poupadinhos que levaram farnel). Às 14h30 esperava-nos o transporte para a Suíça. Carregámos as mochilas para o atrelado, escolhemos os lugares e seguimos viagem na nossa bela carrinha de Turismo VIP, acompanhados de uns motoristas épicos. Já perto da fronteira espanhola, o nosso querido motorista lembrou-se que faltava a “via verde azul” (necessária na França), e foi nesse momento que fizemos a primeira paragem. 

Aproveitámos então para quebrar o gelo (apesar do calor) e ficar a conhecer um bocadinho mais de cada um. Agora sim, tudo a postos, fomos cumprir o nosso objetivo: encontrar a marota da felicidade! A bússola indicava para a Suíça, portanto já tínhamos o destino traçado. Catorze escuteiros (calma, o décimo quinto já aparece), a maioria sem nunca se ter cruzado, estavam neste momento a caminho da maior aventura das suas vidas, não as 24h de autocarro, mas sim a grande PWP! Durante todas essas horas muitas foram as dinâmicas feitas, a mais marcante sem dúvida que foi o speed dating. A partir desse momento já sabíamos quais eram os cozinheiros, os arquitetos, os que gostavam de sushi, os que preferiam lavar loiça ou comida italiana e os que roíam as unhas. 

Pouco a pouco fomos percebendo o papel de cada um neste grupo e que realmente, na PWP, nada acontece por acaso.

Ao logo de toda a viagem contámos com a playlist infindável do Filipe, de pimba a música escutista, do lamechas ao rock, ouviu-se de tudo daquela guitarra. Por outro lado, tínhamos sempre os motoristas que volta e meia lá diziam uma piada para animar os "lobinhos". Muitas foram as paragens feitas ao longo da noite e poucos foram os que resistiram a não dormir de boca aberta um bocadinho. A Elizabeth levou a taça do maior número de horas de sono.

Longas horas depois (diria que foram cerca de mil) chegámos à Suíça, todos muito ansiosos a pensar que Kandersteg seria já ali ao virar da esquina. Na fronteira tivemos mais sorte que juízo até porque ninguém tinha enchidos, nem presuntos, nem bebidas típicas (cof cof cof). 

Lá fomos então encontrar finalmente o nosso décimo quinto elemento! O Rúben esperava por nós no aeroporto de Genebra, e agora sim, a família estava completa! Após o almoço na estação de serviço seguimos viagem, e seis horas depois estaríamos finalmente a realizar um sonho. 

Pela primeira vez (da maioria) pisávamos o chão do KISC!
Finalmente, a primeira etapa já estava!

Já em cima da hora do jantar, conseguimos descarregar o nosso atrelado e desfrutar de uma bela refeição. Primeira lição: red stuff, yellow stuff.

De barriga e alma cheia fomos conhecer os cantos à casa que nos iria acolher nessa semana. O quarto que nos foi destinado foi o Boy Scouts of America Room. Após estarmos instalados chegou a hora de começar a viver a missão que nos levou até lá. Foi na magia da noite no campsite que recebemos então o nosso grande companheiro Felicidário. Nele tínhamos um cancioneiro (até porque "Felicidade é cantar"), espaço para escrever o que nos ia na alma e também textos e orações que recebíamos todos os dias.

Após 24h de viagem, muitas partilhas e de um primeiro contacto com o KISC, era hora do silêncio e de ir babar a almofada.

sábado, 4 de outubro de 2014

Via Ferrata

Hoje foi o último dia em Kandersteg!

Tal como os outros um dia intenso e marcante, visto termos conseguido atingir (independentemente da forma) a meta da famosa e desafiante, Via Ferrata.
O dia começou pelas 7h00 da manhã, duas atletas a provarem o que valiam numa corrida com o Grounds Manager. Por volta das 8h00, metade do grupo foi até à vila de Kandersteg buscar o equipamento de segurança, enquanto que os restantes deslocaram-se para a Via Ferrata.
Eram cerca de 10 da manhã quando começamos a escalar a parede (e que parede, era enorme). Depois de algumas informações de segurança e de termos confirmado que o equipamento estava todo funcional demos inicio a esta aventura extraordinária.
Os primeiros metros foram para nos habituarmos a escalar, quais os movimentos que teríamos que fazer durante as próximas 2h30. Desde como colocar os mosquetões até o cuidado que tínhamos de ter em colocar os pés e as mãos na rocha.


Após alguns minutos de subida, deparámos-nos com uma parede vertical em que tínhamos de atravessar, ao virarmos-nos de costas para a rocha tínhamos uma vista arrebatadora para a vila de Kandersteg e para as montanhas envolventes. 
Foi mágica aquela vista... no exacto momento que o Sol estava a aparecer por detrás das montanhas.

Depois de mais alguns metros a escalar tivemos oportunidade de passar pela 1ª ponte suspensa, que passava mesmo por cima de uma cascata, foi arrepiante! Logo de seguida tivemos um momento de pausa e descanso onde alguns aproveitaram para deixar o seu registo num livro que se encontrava para o efeito.
Neste momento estávamos a meio da subida e a uma segunda escada era o próximo desafio!

Após este passo foi uma subida "normal" até à segunda ponte suspensa do percurso (esta sim, era mesmo desafiante tanto devido à altura como devido ao comprimento). Após alguma hesitação e entreajuda todos conseguimos, superarmos-nos e atingimos o cume da montanha.
A chegada ao cume, local de partida do teleférico, foi fenomenal!
Ai aproveitamos para reunir todo o grupo e vislumbrar a magnifica paisagem que estava perante nós. 

Depois da subida veio uma extraordinária descida no teleférico, onde pudemos ter a real sensação de desafio superado. 


Depois do almoço aproveitamos para comprar alguns presentes na loja do KISC, arrumar os espaços que usufruímos durante esta fantástica semana, e despedirmos-nos dos Pinkies e de e do local que nos acolheu. Não sem antes guardarmos algo...água da massa de gelo de Lötschenpass e do Rio Kander.
Após a habitual foto de praxe desta 3ª Edição de PWP, deixámos o KISC, com o sentimento de um Até Já

Seria uma viagem longa até Portugal!
P.S. - Antes da deixarmos a Suíça fizemos uma paragem no supermercado para esgotarmos o stock de chocolates porque os nosso familiares, amigos e conhecidos são cá uns gulosos :)

   

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Fogo

Amanheceu cedo sobre o abrigo, e assim foi possível ver a magnitude e esplendor da paisagem que nos rodeava. O cansaço e preocupação da noite escura do dia anterior desapareceu, e todos sem excepção respiraram de novo o ar fresco das montanhas, que agora se mostravam sem medo.

A manhã foi mágica… fomos de novo brindados com mais um desafio, ou melhor, cifra cunhada no mais avançado equipamento tecnológico, que regista e guarda momentos da história.

Depois de criarmos a nossa capa, o desafio passava agora por compor o nosso ‘Super Homem-Novo’. Contudo não era uma fórmula simples composta apenas por objectos materiais… havia algo poderoso que redescobrimos ali, na simplicidade da construção de algo, que a partir daí ganhou vida em cada um de nós.


Ainda que calejados pela dura subida, e mesmo alguns de nós, com algumas marcas de fragilidade física, enchemos-nos de coragem e mantivemos a vontade de conseguir atingir, sem margem para dúvida, o nosso objectivo – atingir o pico do monte de Lötschenpass, a 2690m de altitude - partimos então, apenas com o essencial, pelos trilhos que se estendiam monte acima.



Foi impossível ficar indiferente à paisagem, que se abriu com o sol da manhã diante de nós. Entre sorrisos gigantes, brincadeiras e olhares que se perdiam de vista, fomos apoiando-nos e partilhando histórias e sonhos, pedaços de cada um de nós.
Parecia quase um universo diferente, sem rotinas, horários ou pressões… e neste novo universo, caminhávamos agora sobre uma massa de gelo límpido que se derretia nas nossas mãos.



Atingimos o vale gelado a 2420m de altitude. Demorámos mais tempo do que tínhamos delineado a priori para ali chegar. Tivemos de recalcular quando atingiríamos o pico da montanha, dado o ritmo do grupo. Percebemos que iria começar a anoitecer antes de chegarmos ao abrigo, e que assim sendo não teríamos mantimentos e condições de segurança que garantissem que todo o grupo chegassem bem ao centro.
Ainda que quiséssemos todos atingir o pico, compreendemos que nem todos iriam conseguir atingir o ritmo necessário para fazer esse trajecto antes de anoitecer. Por muito que nos tenha custado, entendemos que só fazia sentido se o atingíssemos enquanto grupo. 
Decidimos então regressar, não sem antes criarmos a nossa própria cruz, como símbolo do pico que atingimos em grupo e, também ela como ponto de viragem.



Descemos pelos trilhos que havíamos antes subido, acompanhamos pelo ritmo das pedras que se soltavam e rolavam na descida. Recolhemos as nossas mochilas no abrigo, e despedimos-nos do lugar onde compusemos o nosso ‘Super Homem-Novo’.
À semelhança da subida, a descida foi igualmente íngreme e sinuosa. Depois de umas quantas peripécias, atingimos de novo caminho menos acentuado, que se foi estendendo até ao Centro.


Neste caminho de regresso partilhámos de novo o peso das mochilas e até mesmo do nosso corpo, para podermos regressar, àquela que foi a nossa verdadeira base durante esta aventura.
Anoiteceu rápido, e entre os vales, o manto denso e frio da noite foi-se alastrando, mesmo assim tivemos a sorte de ser gladiados pela lua, que como que às escondidas aparecia e desaparecia entre o nevoeiro. 


Chegámos tarde ao centro, o jantar já á muito que tinha sido servido. Foi-nos guardada comida, que nos soube imensamente bem depois desta aventura. Os olhares cansados foram partilhados à mesa, mas sempre que acompanhados com um sorriso. Depois de todos os afazeres teríamos ainda aquele que haveria de ser um dos momentos mais marcantes desta actividade.
Debaixo do manto de estrelas, que estranha e magicamente se abriu de novo para nós no Campsite, passámos a guardar aquele que será o maior segredo deste nosso 'Super Homem-Novo'. Contudo, não existe nenhum equipamento altamente avançado para guardar o momento. Apenas cada um dos nossos corações o poderá revelar.

 A partir desta noite, haveria uma chama que nunca mais deixaria de fazer sentido.

Andreia Domingues.